terça-feira, 25 de outubro de 2016

CANOA MAX escaneada em 3D.

Sensacional o resultado de uma Canoa Caiçara digitalizada.
Sempre imaginei esse processo aplicado à uma Canoa Caiçara e finalmente foi realizado na FURG.
(mas nunca para fins de produção comercial de canoas, destruindo a tradição dos mestres canoeiros)

CLIQUE AQUI E ACESSE O MODELO EM 3D

Canoa Caiçara MAX, do canoeiro Amyr Klink, digitalizada  em 3D.

Projeto: O uso da tecnologia de digitalização tridimensional na documentação e preservação de bens materiais instalados em espaços públicos.
Bolsista: Laura Olguins de Moura
Orientador: Prof. Dr. Fabio Pinto da Silva
Apoio: FAPERGS

"Em um processo de digitalização tridimensional são capturados dados de um objeto através de um scanner 3D. Neste trabalho foi utilizado o equipamento Artec Eva que registra milhares de coordenadas da superfície do objeto por segundo, formando nuvens de pontos com precisão de décimos de milímetro. As várias nuvens de pontos obtidas são alinhadas afim de representar todas as superfícies do objeto. Os pontos são então unidos três a três, formando uma malha com milhões de triângulos. A partir da malha finalizada e das imagens capturadas pelo scanner, será realizado o processo de texturização. A textura é composta por imagens bidimensionais que podem ser mapas de cor, de normais, ou de reflexão e que dão uma aparência realística ao modelo. Essa tecnologia é comumente aplicada em jogos digitais e em cinema. Este trabalho apresenta a inovação de aplicá­la em áreas sociais, estabelecendo métodos para uso em preservação do patrimônio, acessibilidade e educação".
FONTE: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/134796/Finova2015_Resumo_45304.pdf?sequence=1


















sexta-feira, 30 de setembro de 2016

APRENDIZADO EM "CIÊNCIAS CAIÇARAS"

Coisas que aprendi com o Mestre Tião Lourenço (in memoriam). https://www.youtube.com/playlist?list=PLBpXFzQ1-RlPqDAGPEIm7wz8ULOK59B8C

Essa sequencia de fotos foram tiradas entre março de 2011 e abril de 2012.
Foi após esta reforma que a Marvada ganhou a sua faixazinha amarela marcando a linha do bordo.
Agora ela já precisa "botar pedaço na garra de proa" e "catar" mais algum pedaço "pijuco".
A turma já está cobrando a presença da Marvada nas corridas de 4 remos!

Tudo começa com uma "cutucadinha" onde tá "pijucando"...




Depois "pra botar pedaço", a gente "afeiçoa um sobrenício"


Aí a gente faz a cola 


 Lixa tudo e ninguém mais descobre onde é que tá o pedaço.






segunda-feira, 5 de setembro de 2016

CONVITE DEFESA: A tradição pesqueira caiçara dos mares da Ilha Anchieta.

Prezados amigos, convido todos que tiverem interesse em assistir a defesa da dissertação de mestrado cujo resumo segue abaixo. Será dia 15 de setembro próximo, as 10 horas no NUPAUB - USP.
Comissão Julgadora:
Prof. Dr. Antonio Carlos Sant'Ana Diegues, NUPAUB/USP, Orientador e Presidente da Comissão; 
Prof. Dr. Alexander Turra, IO/USP;
Profa. Dra. Cristiana Simão Seixas, UNICAMP;
Profa. Dra. Sueli Angelo Furlan, PROCAM/IEE/USP.

RESUMO
NÉMETH, Peter Santos. A tradição pesqueira caiçara dos mares da Ilha Anchieta: a interdição dos territórios pesqueiros ancestrais e a reprodução sociocultural local. 2016. 243 f. Dissertação (Mestrado em Ciência Ambiental) – Programa dePós-Graduação em Ciência Ambiental – Instituto de Energia e Ambiente daUniversidade de São Paulo, São Paulo, 2016.

 O presente estudo busca analisar os saberes e “técnicas patrimoniais” (DIEGUES, 2008: p.63) utilizadas pela população dos pescadores caiçaras que atuam na região da Ilha Anchieta e Enseada do Flamengo, em Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo. Este corpo cumulativo de habilidades especiais, transmitidas oralmente, compõem o conhecimento tradicional pesqueiro local, patrimônio imaterial sobre o qual fundamentam sua reprodução sociocultural e o manejo de seus pesqueiros[1] tradicionais. Serão abordadas as relações entre a “apropriação social do ambiente marinho” (GEISTDOERFER, 1974; 1982; CORDELL, 1989; 2000; DIEGUES, 2004a) e os conflitos decorrentes do embate entre essa noção ancestral de propriedade por parte dos pescadores artesanais locais e as questões legais do gerenciamento territorial desses pesqueiros pelos órgãos oficiais. Hoje, a disputa pelo domínio sobre esses recursos pesqueiros comuns (seja por órgãos governamentais conservacionistas ou de fomento à pesca, seja pela pressão política da pesca capitalista de escala industrial e da pesca esportiva amadora) cria frágeis mecanismos de regulação do acesso a esses “pesqueiros” (CORDELL, 1974; 1989; GEISTDOERFER, 1982; NIETSCHMANN, 1989) e aos recursos que neles ocorrem, quase sempre excluindo o pequeno pescador artesanal do processo de tomada de decisão e governança. Essa regulação pesqueira, federal ou estadual, feita “de cima para baixo” (LEIVA, 2014: p.138) ignorando deliberadamente as peculiaridades locais e “os processos e mecanismos pelos quais os grupos estabelecem, mantêm e defendem o usufruto ou a posse de espaços interessantes” (MALDONADO, 1994: p.35). Este sistemático des-respeito atropela e põe em risco a característica fundamental que rege e sustenta todo o universo sociocultural e simbólico dessas populações tradicionais locais: a sua liberdade e autonomia (CUNHA, 2000: p.108, RAMALHO, 2007: p.36, BRANDÃO, 2015: p.75), ou seja, a capacidade de governarem a si próprios. 

Palavras-chave: conhecimento tradicional, territórios pesqueiros, apropriação social do ambiente marinho, direito consuetudinário caiçara.




[1] Além das palavras estrangeiras, utilizar-se-á também o itálico para destacar as expressões especiais do vocabulário técnico tradicional caiçara local. 

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O TEXTO COMPLETO

Se esqueci de algum nome nos agradecimentos me perdoe pois são mais de 10 anos de amizades para agradecer e eu posso ter me esquecido de alguém durante este longo percurso, obrigado a você também.

Agradecimentos:
Agradeço às minhas famílias, os Both Németh, os Carvalho Santos, os Casalderrey Prochaska. Minha querida Lilian e meu filho Rafael, sempre o porto seguro durante os tempos de mar revolto, amo vocês.
Minha gratidão e reverência a todos os “fogos” caiçaras de norte a sul de Ubatuba, que me adotaram como a um filho, iniciando-me nos segredos da arte pesqueira tradicional.  Em especial à Turma da Enseada, os dos Santos, os Giraud, os Góis, os Graça, os de Oliveira e os de Jesus e aos amigos bravos remadores ubatubanos da AARCCA, rema!
Agradeço em especial ao Prof. Diegues pela imensa generosidade em abrir as portas da academia para um simples “pescador” e também ao Luiz Bargmann Netto, primeiro apoiador do meu trabalho como pesquisador.
Obrigado aos pesquisadores locais, José Ronaldo dos Santos, Julio César Mendes, Mário Ricardo de Oliveira e Élvio de Oliveira Damásio: os “três mosqueteiros” da resistência caiçara ubatubana. Peço bênçãos em nome do Divino Espírito Santo, obrigado Foliões!
Ao povo paulista pela manutenção do NUPAUB/PROCAM/IEE/USP; aos colegas, funcionários e professores que incentivaram a integração de conhecimentos: Sueli Furlan, Adrian Ribaric, Gustavo Moura, Luiz Beduschi, Sílvia Zanirato, Pedro Jacobi, Paulo Sinisgalli, Eduardo Caldas, Alexander Turra, Maria Gasalla, Claudia Santos, Ivan Martins, Caiuá Peres, Henrique Kefalás, Antonio Afonso, Samuel Yang, muito obrigado.
Um imenso obrigado ao MAPA-Ubatuba, Ana Maria Paschoal da Cruz e Paulo Vasco e Fundação Florestal, Lucila Pinsard Vianna e Priscila Saviolo Moreira.
Agradeço aos companheiros dos vários fóruns de discussão dos quais participei no litoral norte: APE, MAPEC, AMESP, Z-10, CMDRP, PEIA, APA Marinha do L.N., PMU, SEAP/MPA, TAMAR, e especialmente aos amigos pesquisadores do Instituto de Pesca de Ubatuba, Sérgio Ostini (in memoriam), Élvio Damásio, Helcio Marques, Valéria Gelli, Ricardo Pereira, Marcelo Alves, Roberto Seckendorff, Venâncio de Azevedo, Laura de Miranda, Marcus Carneiro e Eduardo Sanches. Vocês do “Pesca” são valorosos semeadores de mares e de mentes.
Muito obrigado ao povo brasileiro pela bolsa CAPES de auxílio à pesquisa.













FOTOS DA DEFESA: Prof. Adrian Ribaric.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

QUE TAL SER PROIBIDO DE IR À PRAIA DE FORA?

Que tal ser proibido de ter acesso à Praia de Fora, Praia do Tapiá, Praia do Codóis e também ser proibido de pescar em todos os pesqueiros tradicinais da Ponta do Espia? Estão vendendo os pesqueiros: Praia do Tapiá, Costão Quebrado, Cafarnaum, Praia de Fora, Praia do Codóis, Ponta do Meio, Itapeva, Ponta do espia, Saco do Soldado, Pedrs do Cerco, Saco do Espia, Pedra do Arpoador, Saco da Piteira, Saco Grande, Poço Fundo, Cara Pro Mato, Porto Velho, Porto do Antônio Inácio, Pedra da Cadeira, Porto da Idália, Pedra do Morcego, Figueirinha, Porto da Cruz, Os Cafés, Pedra Rachada, Pedra da Laje, fora os do largo.

Atualizado em 30/01/17: ENTREVISTA COM ADRIANA MATTOSO aqui: http://www.informarubatuba.com/fundacao-florestal-adriana-mattoso

Aqui: 1- http://www.ubaweb.com/revista/g_mascara.php?grc=34976
2- http://www.ubaweb.com/revista/g_mascara.php?grc=31708

Aqui: http://canoadepau.blogspot.com.br/2013/10/os-perigos-das-trilhas-de-ubatuba.html

Aqui: http://coisasdecaicara.blogspot.com.br/2013/10/dia-de-andar.html

Aqui: 1- http://trekkingnamontanha.blogspot.com.br/2014/01/trilhas-e-praias-da-ponta-da-espia.html

2- https://picasaweb.google.com/116531899108747189520/TrilhasEPraiasNaPontaDaEspiaUbatubaSPDez13

Aqui: 1- http://canoadepau.blogspot.com.br/2013/05/cetesb-sim-sim-sim.html
2- http://canoadepau.blogspot.com.br/2013/09/o-infeliz-destino-de-nossos-parques.html

Aqui: http://www.informarubatuba.com/#!gerco-mapa-consenso-ubatuba-conselho/c17mp

Aqui: https://www.facebook.com/AARCCA/posts/1763301877248195

Aqui: http://www.informarubatuba.com/grupo-setorial-mapa-zoneamento-ubatuba

Estão privatizando os espaços públicos, bens comuns de uso do povo que foram "preservados" à custa de muita injustiça socioambiental para com o povo Caiçara.

"O 'meio ambiente' foi bom sabe pra quem? Pros... pros, cara...  que vieram pra explorá Ubatuba, assim, Caraguatatuba, todo o litoral, é os grileiro. Então isso foi bom. Então o 'meio ambiente' ele foi bom, pelos (para os) grileiros que apareceram. Mas pela classe que sempre respeitaram o 'meio ambiente', eles prejudicaram. Que é os pescador... é os antigo... é o roceiro, é o cara que sempre criou o filho com farinha e palmito... entendeu?" 
(Depoimento de pescador Caiçara, sexagenário, local da Ponta do Espia, anotação de campo em julho de 2016)

Foto: Rafael Santiago
Foto: Rafael Santiago


sábado, 18 de junho de 2016

É PRECISO PENSARMOS A TAINHA 2

Escrevi recentemente sobre o impacto da frota industrial sobre a captura da tainha e as consequências desta expropriação de um recurso natural que desde os primeiros registros históricos (STADEN, 1557) é a base da cultura litorânea de centenas de comunidades tradicionais do sudeste sul brasileiro:
http://canoadepau.blogspot.com.br/2015/06/e-preciso-pensarmos-tainha.html

Fonte principal: ARTIGO PESCA DE TRÓIA REPESCA 2016

Também, recentemente a tradicional pesca artesanal de tróia, a mais praticada na captura da tainha no litoral caiçara, passou a ser considerada ilegal, transformando a cultura dos pescadores em crime:
http://canoadepau.blogspot.com.br/2016/03/a-extincao-da-pesca-artesanal.html

Felizmente, nesta safra de tainha de 2016, quando as 50 traineiras (isso mesmo 50!) tentaram renovar suas licenças, não conseguiram, pois 100% delas haviam pescado em áreas proibidas no ano passado:
http://www.agricultura.gov.br/animal/noticias/2016/06/mapa-indefere-concessao-de-pesca-da-tainha-para-50-embarcacoes

Miranda (et al., 2011) defendem a suspensão da pesca de tainha pela frota de traineiras, e citam que em julho de 2010, apenas uma única traineira matou mais tainhas do que o total capturado no mesmo mês pela pequena pesca, em catorze (14) municípios paulistas. Alertam também que em São Paulo nesse mesmo ano de 2010, nos meses de junho e julho, apenas 1,1% das unidades produtivas envolvidas na pesca da tainha, eram de traineiras. Mesmo assim foram responsáveis, realizando apenas 0,4% das descargas, por 50,1% da captura total de tainhas. Demonstram os autores, cabalmente, a imensa desproporcionalidade entre a frota de traineiras e a pequena pesca, resultando em competição desigual, menor disponibilidade da espécie para as populações tradicionais e maiores custos sócio-econômicos e culturais para os usuários desse recurso pesqueiro(MIRANDA et al 2011: p.17-19).

Sabe-se no entanto que a imprevisibilidade é a única certeza quando se fala em recursos pesqueiros e tentar conseguir prever estas situações de altos e baixos da produtividade marinha é onde o progresso do conhecimento, pode ser de extrema ajuda (Andrew Bakun,1996).

Coincidência ou não, é fato consumado que nesta safra de 2016, as comunidades tradicionais caiçaras estão tendo resultados recordes com a pesca de tainhas. Vamos deixar as fotos falarem:

Fotos de: Mulheres Artesãs da Enseada da Baleia:

Fotos de: Leila Anunciação, Trindade R.J.:


Fotos de Ten. Cel. Macário Ubatumirim, Ubatuba:

Fotos de Fabíola Soares, Praia da Justa, Ubatuba:

Dezenas de comunidades caiçaras estão ganhando o seu quinhão. A cultura da tainha está sendo repassada e saberes ancestrais estão novamente sendo exercitados.

Os industriais reclamam prejuízos com a exportação do CAVIAR BRASILEIRO para os chineses.
A ova de tainha é uma iguaria exportada pelo brasil e custa aqui quase 500 reais o quilo: BOTTARGA
 
Bem, fala pros chineses que lá no Paulinho, na Praia da Enseada, tem ova de montão! Este ano o caviar é dos caiçaras!

Foto de Roberto Ferrero, Praia da Enseada, Ubatuba:

Mais informações sobre o caso no blog: ÚÚÚÚ!!! TAINHA NA REDE.

Atualizado em 25/04/17: Artigo relacionado recente CEPSUL: DE QUEM È O PEIXE? 

terça-feira, 10 de maio de 2016

Ressaca na Enseada - 5 de setembro de 2006

Quem só conhece a Praia da Enseada no verão, bem mansinha e tranquila, não imagina do que o mar é capaz nos dias de ressaca. Mais uma vez as imagens falarão bem mais do que as palavras.
Fotos: Peter Santos Németh